O Brasil contabilizou 354 episódios de violência política entre outubro de 2024 e agosto de 2026, o maior número registrado em um período pré-eleitoral ao longo de dez anos de monitoramento. O levantamento foi divulgado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global e reúne casos de ameaças, ofensas, agressões físicas, atentados e assassinatos.
Os registros correspondem a uma média de um episódio a cada 44 horas. O total representa crescimento de 18,4% em relação aos 299 casos identificados no período pré-eleitoral anterior, encerrado em agosto de 2024. Mesmo em 2025, quando não houve eleições, foram registrados 225 episódios.
Mulheres concentram metade das vítimas
As mulheres cis, trans e travestis foram vítimas em 50,6% dos episódios analisados, embora ocupem cerca de 18% das cadeiras legislativas do país, segundo os dados citados no estudo.
O levantamento aponta diferenças no tipo de violência sofrida. Homens foram os alvos de 77,2% dos casos de violência física, enquanto as mulheres representaram 58,3% das vítimas de ameaças e ofensas.
Também foram registrados 31 episódios de ameaças de violência sexual e 67 ocorrências com conteúdo sexual ou comentários sobre corpo e aparência. Em ambos os grupos, todas as vítimas identificadas eram mulheres.
Paraná registra 31 casos
O Paraná aparece na segunda posição entre os estados com mais ocorrências, com 31 casos identificados em nove municípios. São Paulo lidera a lista, com 67 registros, seguido pelo Paraná e pelo Ceará, com 29.
De acordo com o recorte estadual divulgado pela Terra de Direitos, 80% das vítimas no Paraná eram mulheres. Mais de 60% das ocorrências registradas no estado foram concentradas em Curitiba. Os episódios incluem ofensas, ameaças, agressões físicas, atentado e assassinato.
Poucas ocorrências chegam à punição
A pesquisa também chama atenção para a dificuldade de responsabilizar os autores. Embora pelo menos 300 episódios tenham sido alvo de denúncia formal ou pública, apenas 46 contavam com investigação policial ou judicial em andamento.
Somente nove casos, equivalentes a 2,5% do total, resultaram em punição efetiva dos responsáveis, segundo as organizações.
A violência também está concentrada na política municipal: 63% dos episódios atingiram prefeitos, prefeitas, vereadores e vereadoras. Entre os 28 casos com intenção letal, 24 envolveram agentes políticos que atuavam nos municípios.
As entidades responsáveis pelo levantamento defendem medidas permanentes de prevenção e proteção, que não fiquem restritas ao período oficial de campanha. Os dados relativos ao primeiro turno das eleições de 2026 ainda serão incorporados às próximas etapas da pesquisa.


