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Os iguaçuenses começam 2026 como já virou rotina: fazendo contas antes mesmo do café esfriar. IPTU, IPVA e uma sequência de boletos chegam sem pedir licença, empilhando pressão sobre um orçamento que já opera no limite. Em Foz do Iguaçu, o IPTU vem com reajuste de 4,17%, tecnicamente enquadrado como “correção inflacionária”. No papel, parece neutro. Na vida real, pesa — e pesa muito.
A Prefeitura sustenta o discurso da legalidade e da previsibilidade, repetindo que não houve aumento real. Mas essa explicação não resolve o problema central: o contribuinte paga mais enquanto a cidade permanece praticamente a mesma. Ruas seguem esburacadas, bairros carecem de manutenção básica, a iluminação pública falha, a mobilidade não avança e os serviços essenciais continuam aquém do que se espera de uma cidade que arrecada cada vez mais.
O problema nunca foi apenas o percentual. É o contexto. Quando imposto, tarifas públicas e combustível sobem ao mesmo tempo, a matemática não fecha para quem vive de salário, bico ou pequeno negócio. A conta chega antes da melhoria. A cobrança é imediata; o retorno, incerto.
O desconto progressivo para pagamento à vista é vendido como benefício, mas na prática funciona como um prêmio para quem já consegue se organizar financeiramente. Não é política pública estrutural, é um incentivo pontual que não enfrenta o cerne da insatisfação popular: a sensação de pagar caro por pouco.
Foz do Iguaçu não precisa apenas de boletos atualizados pela inflação. Precisa de gestão eficiente, planejamento visível e resultados concretos. O cidadão não quer discurso técnico nem justificativa contábil — quer ver o imposto transformado em qualidade de vida.
No fim das contas, a pergunta que ecoa nas ruas é simples e incômoda: se o IPTU sobe todo ano, por que a cidade não sobe junto?