Agentes da Polícia de Turismo são filmados recebendo dinheiro de pasero

Foto Reprodução – Com informações Ahoracde

A chefe da Polícia de Turismo em Ciudad del Este, comissária principal Clara Gladys Silva Acosta, e seus subordinados estariam sob proteção da cúpula policial diante de denúncias de corrupção que envolvem a unidade. Dois agentes foram flagrados por imagens de celular enquanto recebiam dinheiro de um “pasero” pessoa que transporta mercadorias de contrabando do Brasil.

As imagens reforçam suspeitas da existência de um esquema organizado de cobrança de propinas.

A atuação da Polícia de Turismo vem sendo alvo de questionamentos, especialmente quanto ao cumprimento de sua missão institucional, que é proteger turistas que visitam Ciudad del Este para compras. Segundo denúncias, agentes estariam realizando abordagens com o objetivo de exigir dinheiro.

Um dos pontos citados é a saída da zona portuária na cabeceira da Ponte da Amizade, onde policiais ficariam posicionados para receber valores de paseros que trazem mercadorias do Brasil e, em alguns casos, da Argentina.

Apesar das denúncias, os agentes envolvidos seguem exercendo suas funções sem afastamento. Fontes da própria instituição afirmam que a comissária Silva Acosta teria respaldo da cúpula da Polícia Nacional, o que dificultaria qualquer medida administrativa contra ela.

Até o momento, o Ministério do Interior, comandado por Enrique Riera Escudero, também não teria anunciado providências sobre o caso, apesar das evidências apresentadas.

O que mostram as imagens

No vídeo, é possível observar um agente da divisão de Turismo da Polícia Nacional recebendo dinheiro de um pasero que deixa o pátio da Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP). Em seguida, o policial entrega o valor a uma colega, que guarda a quantia.

As imagens indicam que a cobrança de “pedágio” aos paseros seria uma prática estruturada, com participação de mais de um agente.

Os paseros são responsáveis por introduzir mercadorias no país, majoritariamente de forma irregular. Ao deixarem o recinto portuário, repassariam valores aos policiais, conforme sugerem as imagens.

Também chama atenção o fato de agentes da Polícia de Turismo estarem destacados na área portuária, já que essa não seria, em tese, uma atribuição direta da unidade.

A reportagem tentou apurar os valores pagos como “pedágio”, mas os paseros ouvidos não quiseram fornecer detalhes, alegando que a atividade exercida por eles não está dentro da legalidade.

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