(Foto: arquivo)
O número de mortes em confrontos envolvendo forças policiais e suspeitos de crimes, também registrado como “mortes por intervenção legal de agentes do estado” disparou em Foz do Iguaçu, revelando uma onda crescente de violência no município.
Dados do Centro de Análise, Planejamento e Estatística (Cape), da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), mostram que a cidade contabilizou 21 óbitos em confrontos em 2025, frente a apenas cinco casos em 2024. No comparativo com 2023 a diferença também é explícita, visto que naquele ano foram 12 mortes.
Das ocorrências de 2025, quatro foram registradas no bairro Morumbi e outras quatro no bairro Itaipu A. Os bairros Porto Meira, Polo Universitário e Lote Grande tiveram dois casos cada. Também houve confrontos nos bairros Três Bandeiras, Campos do Iguaçu, Itaipu C, Três Lagoas, Polo Centro e Cidade Nova, com uma ação cada.
No quantitativo de todo o Estado, Foz aparece como a quarta cidade mais violenta. Curitiba é a primeira do ranking, tendo contabilizado 117 confrontos com morte no ano passado. Na sequência está Londrina, com 35 ocorrências. O terceiro lugar é ocupado por São José dos Pinhais, com 24 casos.
Neste ano de 2026, a Sesp já registrou mais de 50 confrontos no Paraná. Somente em Foz já foram mais de seis ocorrências de janeiro até a atual semana de março. A ação mais recente ocorreu na tarde de terça-feira (24), no bairro Vila Portes.
De acordo com informações, seis criminosos armados invadiram uma residência para cometer um roubo. Vizinhos perceberam a ação e acionaram a Polícia Militar, que surpreendeu o grupo antes da fuga. Os suspeitos trocaram tiros com os agentes e um deles foi alvejado, indo a óbito no local. Outros três envolvidos foram presos e dois conseguiram escapar.
Em outra situação, na noite do dia 20, no bairro Parque Presidente I, um homem suspeito de envolvimento em um homicídio morreu depois de reagir à abordagem da PM e trocar tiros com a equipe. Ainda, segundo as forças de segurança, durante a tentativa de escapar, o suspeito quase colidiu com uma equipe da Guarda Municipal e também teria tentado atirar contra os agentes.
Investigação
Todas as mortes em confronto são meticulosamente investigadas. As ações são conduzidas pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que é responsável por identificar se a conduta policial foi correta, independente das circunstâncias.
Este trabalho faz parte de estratégia institucional de atuação do Ministério Público do Paraná (MPPR) e tem como objetivo contribuir para a diminuição da violência nas abordagens conduzidas pelas forças de segurança (PM, Polícia Civil, Guarda Municipal, Polícia Federal e outros).
“Caracterizam-se como morte em confronto os óbitos que ocorreram em situações envolvendo civis e policiais, em situações de flagrante de crimes, resistência à prisão e outras. Em todos os casos desse tipo são abertas investigações para apurar se não houve excesso na abordagem realizada pelas forças de segurança”, destaca o Gaeco.
Todos os levantamentos seguem a política institucional de tratamento de dados nesta área, firmada em 2024, dentro dos preceitos estabelecidos pelo Conselho Nacional do Ministério Público e pela Resolução nº 7552/2024 da Procuradoria-Geral de Justiça.