Entre planejamento e promessas, gestão Silva e Luna fecha 2025 sem grandes obras

O prefeito de Foz do Iguaçu, general Joaquim Silva e Luna, classificou 2025 como um ano de reorganização administrativa, planejamento e ajustes internos, ao justificar a ausência de grandes entregas no primeiro ano de gestão. Em entrevista à Rádio Cultura, o prefeito afirmou que o período foi dedicado a “arrumar a casa”, com revisão de processos, reestruturação de secretarias e articulações junto aos governos estadual e federal em busca de recursos.

Segundo Silva e Luna, a estratégia da administração foi projetar o futuro da cidade a partir de 2028 e, a partir disso, retroceder no planejamento para estruturar o início do mandato. A justificativa, no entanto, reforça que 2025 teve caráter predominantemente organizacional, com impactos ainda pouco perceptíveis no cotidiano da população. “O primeiro ano é um ano de arrumação, de organização da casa”, afirmou. Para o prefeito, a mudança administrativa foi uma escolha consciente do eleitorado. “Mudança implica seguir uma direção diferente, porque se fosse para continuar igual, chegaríamos no mesmo lugar.”

Entre as principais medidas apontadas pela gestão está a reestruturação da previdência municipal, considerada pelo prefeito como um marco administrativo. A unificação dos fundos previdenciários abriu margem no limite prudencial, permitindo novas contratações em áreas essenciais como educação, saúde e segurança pública. A administração afirma que a medida solucionou um problema histórico, embora seus efeitos práticos ainda dependam de continuidade e equilíbrio fiscal a longo prazo.

Na saúde, a prefeitura destaca números elevados de atendimentos e procedimentos. Em 2025, foram realizadas cerca de 10 mil cirurgias, volume classificado como recorde pela gestão. O aumento é atribuído à ampliação da oferta local e à redução de encaminhamentos para outros municípios. Apesar do avanço quantitativo, desafios como filas, estrutura física e demanda reprimida seguem sendo apontados por usuários do sistema público.

“O que mudou foi a confiança. Antes, as pessoas nem entravam na fila porque achavam que nunca seriam atendidas”, afirmou o prefeito. A gestão também confirmou a construção de um hospital estadual em Foz do Iguaçu, com recursos do Governo do Paraná. O projeto, no entanto, ainda está em fase inicial e sem cronograma público detalhado. Paralelamente, foram anunciados investimentos em unidades básicas, na policlínica e no Hospital Municipal.

O balanço do ano inclui ainda ações em infraestrutura, mobilidade urbana, iluminação pública, pavimentação e esporte. Obras como a Perimetral Leste, projetos de recape asfáltico, modernização da iluminação e implantação de campos sintéticos são citadas como avanços, embora parte das intervenções já estivesse prevista em gestões anteriores ou ainda esteja em andamento.

Foz do Iguaçu também foi confirmada como sede dos Jogos Nacionais da Juventude em 2026, evento com potencial de impacto positivo no turismo e na economia local, mas que exigirá investimentos adicionais em logística e infraestrutura esportiva.

Para 2026, Silva e Luna projeta um ano de maior execução, com a promessa de que projetos planejados em 2025 comecem a sair do papel. “O próximo ano é de entregas maiores”, afirmou. Entre as prioridades anunciadas estão grandes obras urbanas, melhorias na mobilidade, revitalização da Beira Foz, ampliação da rede de saúde e investimentos em educação e infraestrutura.

O prefeito reconheceu falhas na comunicação institucional e admitiu que parte das ações da gestão não chegou ao conhecimento da população. “Muita coisa foi feita e não foi contada”, disse. Segundo ele, mais de um bilhão de reais em projetos estruturantes estão em fase de encaminhamento. O desafio, porém, permanece em transformar planejamento em obras concretas e resultados perceptíveis para a população, especialmente diante das expectativas criadas para os próximos anos.

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