Quem é o médico cobrava até R$ 200 de pacientes do SUS e é condenado por corrupção passiva no Paraná

Lucas Saldanha alegou ‘que não cobraria um valor irrisório desse para fazer uma cirurgia’ Foto: Reprodução

O médico traumatologista e ortopedista Lucas Saldanha Ortiz, especializado em cirurgia de quadril, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná por cobrar pacientes para realizar cirurgias custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele foi condenado pelo crime de corrupção passiva por fatos ocorridos entre 2015 e 2017, mas poderá recorrer em liberdade. O Estadão informou que tenta contato com a defesa.

A sentença também determinou o pagamento de 250 dias-multa, sendo que cada dia corresponde a meio salário mínimo vigente à época dos fatos apurados.

Formado em 2010 pela Universidade do Planalto Catarinense, o médico segue com registro ativo no Conselho Federal de Medicina. Em consulta ao site do CFM, ele aparece como especialista em ortopedia e traumatologia, com inscrições em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, ambas em situação regular.

Segundo a denúncia, o ortopedista exigia de pacientes ou familiares valores entre R$ 50 e R$ 200 para realizar procedimentos em hospitais da cidade de Toledo. De acordo com o MP, todos os pacientes eram atendidos pelo sistema público e, sem condições de arcar com as cobranças, alguns chegaram a contrair dívidas para viabilizar as cirurgias.

A acusação aponta ainda que o médico justificava os valores como necessários para custear instrumentadores cirúrgicos, anestesista e outros serviços que, segundo ele, não teriam cobertura do SUS. As cobranças teriam ocorrido tanto em cirurgias eletivas quanto em procedimentos de urgência. Em casos de maior complexidade, como cirurgias de joelho e quadril, ele alegava a necessidade de dois instrumentadores.

O que diz a defesa

Nos autos do processo, aos quais a reportagem teve acesso, Lucas Saldanha afirmou que cobrava R$ 50 como taxa, valor que seria repassado ao instrumentador cirúrgico. Segundo ele, a quantia era necessária para viabilizar os procedimentos, especialmente quando o hospital não disponibilizava os profissionais necessários.

O médico também declarou que recebia pelos atendimentos por meio da Autorização de Internação Hospitalar (AIH) e que, em 2019, precisou ingressar com ação judicial contra o Hospital Bom Jesus para cobrar valores referentes a quatro anos de AIHs que não teriam sido pagos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *