A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (20) uma operação contra uma organização criminosa suspeita de aplicar fraudes bancárias no interior do estado. Segundo as investigações, o grupo teria causado prejuízos de aproximadamente R$ 1,27 milhão às vítimas.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil de Presidente Venceslau e identificou cerca de 2,7 mil linhas telefônicasque teriam sido utilizadas pelos suspeitos na aplicação dos golpes.
Entre as vítimas está um homem de 80 anos, que perdeu R$ 180 mil após ser enganado por criminosos que se passaram por funcionários de uma instituição bancária. Os suspeitos informaram que havia um problema com a conta da vítima e conseguiram convencê-la a realizar uma transferência bancária.
A partir desse caso, os investigadores chegaram a outros registros e ampliaram as apurações sobre a atuação da quadrilha.
Mandados são cumpridos em três unidades da Federação
Ao todo, a operação cumpre cinco mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais são executadas em Poá e Embu das Artes, na Grande São Paulo, além de Planaltina, em Goiás, e Brasília, no Distrito Federal.
Os policiais procuram documentos, celulares, computadores e outros equipamentos que possam ajudar a identificar os integrantes do grupo e esclarecer a extensão do esquema.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 180 mil, com o objetivo de tentar recuperar o valor perdido pela vítima idosa que deu origem às investigações.
Segundo o delegado Edmar Caparroz, responsável pela operação, a polícia pretende aprofundar a investigação, identificar outros envolvidos e localizar possíveis novas vítimas.
Golpes exploram confiança das vítimas
A investigação aponta para o uso de técnicas de engenharia social, estratégia em que os criminosos manipulam as vítimas para obter informações ou induzi-las a realizar operações financeiras.
Um dos métodos utilizados é o chamado falso atendimento bancário. O criminoso entra em contato com a vítima e afirma ter identificado uma movimentação suspeita ou algum problema na conta. A partir daí, cria uma situação de urgência para fazer com que a pessoa siga instruções e realize operações que beneficiam os golpistas.
Os contatos podem ocorrer por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens, como o WhatsApp.
Ferramentas ajudam a identificar movimentações suspeitas
O Banco Central disponibiliza ferramentas que podem auxiliar consumidores a monitorar a própria vida financeira. Entre elas está o Registrato, que permite consultar informações compartilhadas por instituições financeiras, incluindo contas, empréstimos e chaves Pix vinculadas ao usuário.
Outra ferramenta é o BC Protege+, que permite ao cidadão informar que não deseja que novas contas sejam abertas em seu nome em instituições participantes.
A recomendação das autoridades é que o consumidor desconfie de contatos que solicitem transferências, instalação de aplicativos ou fornecimento de senhas e códigos de segurança. Bancos não devem exigir que clientes realizem transferências para supostamente cancelar ou proteger uma operação suspeita.


