A confirmação de 71 casos de sarna humana em uma escola municipal de Atibaia, no interior de São Paulo, levou à suspensão das aulas nesta sexta-feira (23) e chamou atenção para uma doença contagiosa que pode atingir pessoas de qualquer idade. A escabiose é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei e costuma ser transmitida por contato prolongado com uma pessoa infectada ou, em alguns casos, por roupas, toalhas e outros objetos contaminados.
Apesar de ser comum em ambientes com contato próximo, a doença não está relacionada à falta de higiene. Escolas, creches e residências são locais onde a transmissão pode ocorrer com maior facilidade justamente pela proximidade entre as pessoas.
Quais são os sintomas?
O principal sintoma é a coceira intensa, que costuma piorar durante a noite. Também podem aparecer pequenas lesões semelhantes a espinhas, especialmente:
entre os dedos das mãos;
nos punhos;
nas axilas;
na região da cintura;
nos genitais;
nas nádegas.
Em bebês, as lesões também podem aparecer na cabeça, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.
Quando várias pessoas da mesma família ou de uma mesma turma começam a apresentar coceira noturna, a situação merece avaliação médica.
Como acontece a transmissão?
O contágio ocorre principalmente pelo contato direto e prolongado entre pessoas. Roupas, toalhas e lençóis contaminados também podem participar da transmissão.
Uma pessoa infectada pode transmitir a doença antes mesmo do aparecimento da coceira, por isso, quando há um caso confirmado, os contatos próximos devem ser avaliados e, quando indicado por profissional de saúde, tratados simultaneamente.
Como é feito o tratamento?
O diagnóstico é geralmente clínico, feito por profissional de saúde a partir da avaliação da pele e do histórico do paciente. O tratamento utiliza medicamentos específicos contra o ácaro.
Entre as opções citadas por especialistas estão a permetrina, aplicada sobre a pele, e a ivermectina, administrada por via oral em situações indicadas. A escolha do tratamento e da dose deve ser feita por profissional de saúde, especialmente no caso de crianças, gestantes e pessoas com outras condições de saúde.
O tratamento pode precisar ser repetido após uma semana, já que a primeira aplicação não elimina necessariamente todos os ovos presentes na pele.
Cuidados em casa
Roupas, toalhas e lençóis utilizados nos dias anteriores ao início do tratamento devem ser lavados adequadamente. Objetos que não possam ser lavados podem ser isolados em sacos plásticos por alguns dias.
Também é importante evitar a automedicação e procurar atendimento médico diante de sintomas suspeitos.
A coceira pode continuar por algumas semanas mesmo após o tratamento, devido à reação da pele ao ácaro. Entretanto, se novas lesões aparecerem ou a coceira persistir por mais de duas a quatro semanas, é recomendada uma nova avaliação médica.
Quando procurar atendimento?
Além da coceira persistente, é importante procurar atendimento rapidamente se houver pus, febre, crostas amareladas ou espessas, sinais que podem indicar uma infecção secundária. Bebês com lesões também devem ser avaliados por um profissional de saúde.
A suspensão temporária das aulas pode auxiliar na identificação dos casos e na orientação da comunidade escolar, mas, segundo especialistas ouvidos na reportagem, o controle da transmissão depende principalmente da identificação e do tratamento simultâneo dos casos e contatos próximos.


