O proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu à Polícia Federal que tinha conhecimento de uma cultura interna de omissão de falhas técnicas na companhia aérea. A revelação consta do relatório final da investigação sobre a queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024.
Segundo a investigação, o empresário afirmou ter sido alertado pessoalmente, ao longo dos anos, por diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre uma prática adotada dentro da empresa: pilotos deixavam de registrar determinados problemas nos diários de bordo para evitar que as aeronaves fossem retiradas de operação para manutenção.
Para a Polícia Federal, o depoimento é relevante porque indica que a direção da companhia já tinha conhecimento do problema antes da tragédia.
Avião não deveria estar naquela condição
Durante o depoimento, prestado em 4 de agosto de 2026, Felício Filho também reconheceu que a aeronave envolvida no acidente apresentava condições que não deveriam ter permitido sua operação.
A queda aconteceu em 9 de agosto de 2024. O avião, que havia saído de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), caiu em Vinhedo e provocou a morte de todas as 62 pessoas que estavam a bordo.
A investigação apontou problemas relacionados à manutenção e ao registro de falhas técnicas. Segundo informações do relatório, o sistema de degelo da aeronave apresentava problemas e havia registros anteriores de falhas.
PF indicia 16 pessoas
Ao final da investigação, a Polícia Federal indiciou 16 pessoas, entre elas o proprietário da companhia e profissionais que ocupavam cargos nas áreas de operações, manutenção e segurança operacional.
Também foram indiciados mecânicos e despachantes operacionais. Os investigadores apontam que falhas na gestão, omissões de informações técnicas e problemas nos procedimentos de manutenção contribuíram para a operação da aeronave em condições inadequadas.
O caso agora segue para análise do Ministério Público Federal, que deverá avaliar as conclusões do inquérito e decidir sobre eventual apresentação de denúncia à Justiça.
A investigação lança novas dúvidas sobre os mecanismos de controle e segurança adotados pela companhia antes do acidente e sobre a efetividade da fiscalização realizada pelos órgãos responsáveis pela aviação civil.
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Título alternativo mais impactante: Dono da Voepass sabia de falhas omitidas antes de queda que matou 62, aponta PF


